A minha relação com a pílula e outros métodos contraceptivos

Antes de começar, destaco um ponto fundamental nisto dos métodos contraceptivos: rapazes e raparigas de todo o mundo, o preservativo é o único meio capaz de proteger contra doenças sexualmente transmissíveis. A pílula não tem esta capacidade. O adesivo também não. E o DIU também não. Lembrem-se sempre disto. Pela vossa saúde e pela dos outros. Não se pode brincar com isto.

Agora, sobre a pílula. Começo por realçar que a invenção deste comprimido foi absolutamente revolucionária para a mulher. Pela primeira vez, foi-nos possível ter sexo por prazer, sem o risco de engravidar. Isto pôs-nos em pé de igualdade em relação aos homens no que toca à liberdade sexual. Até lá, não tínhamos esse direito. Conseguem imaginar? Isto foi maravilhoso. Foi uma conquista enorme. 

No entanto, não reagimos todos da mesma forma às hormonas. Eu faço parte do clube de mulheres que sofria horrores com todos os efeitos secundários da pílula — que só tomava quando estava em relações longas porque, repito, de resto optava sempre pelo preservativo. Variações de humor terríveis, peso, dores insuportáveis. Tinha tudo. Não era para mim. Cada corpo é um corpo e o meu rejeitou completamente estes comprimidos, em muitas das suas versões.

Entretanto, experimentei o DIU e aos 40 anos finalmente encontrei um método com o qual me dei bem. Mas, aqui há uns meses, tomei uma decisão: queria alcançar no meu corpo a leveza que tinha alcançado na minha cabeça. Quis tirar os químicos e hormonas do meu organismo e isso é tão importante como tomar um medicamento — quando necessário — sem preconceitos. Fiz consultas, fiz análises e agora escuto-me com todo o cuidado e atenção.

Nada acontece por acaso. Esta decisão veio na sequência de ter saído de uma fase mais conturbada, em que andei mais ansiosa e em que ganhei peso. 

A acordar de tornozelos inchados, senti que queria regressar a mim mesma a 100%. Decidi que queria libertar o meu corpo de intrusos: com toda a cautela, larguei o DIU, as hormonas e a medicação (um familiar do antidepressivo para o transtorno obsessivo compulsivo) — sempre com consentimento e acompanhamento médico, muito importante. 

Mas, repito: sejam amigas ou inimigas, as hormonas fazem parte da nossa vida e foram uma grande vitória para a liberdade feminina. O importante é que sejam ingeridas por aconselhamento e receita médica e que se vá tomando atenção à forma como o organismo reage. 

Acredito mesmo que não há verdades absolutas, nem soluções milagrosas. Há saúde, há corpos diferentes e etapas de vida distintas. E é a isto que nos vamos ajustando. Neste momento, quero conhecer-me, aprender ouvir os ritmos do meu corpo, sempre com aconselhamento de quem estudou e sabe mais do que eu. E quero tudo isto apenas porque a fase de vida me permite e levou até aqui.

Não tenho nada contra a pílula, não tenho nada contra o DIU, não estou numa cruzada contra as hormonas. O importante é que cada mulher seja acompanhada de forma informada, porque a saúde é o mais fundamental. 

E, novamente, para os rapazes e raparigas deste mundo: a pílula é uma enorme conquista, mas o preservativo é insubstituível em relações não estáveis. 

Catarina Beato - Blogger e Influencer

Escrito por:
Catarina Beato
Autora do blog Dias de Uma Princesa

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